Tempurá: Da Origem aos Dias de Hoje

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Sabores do Japão é a nossa série de posts que abordam a essência da cozinha japonesa, e hoje o assunto é Tempurá!

O tempurá é um prato muito comum nos dias de hoje, mas ainda possui a sofisticação de ingredientes finos, tendo inclusive restaurantes renomados, servindo somente essa iguaria.

Enquanto no Brasil, geralmente compramos este item nas feiras, no Japão ele é vendido também em restaurantes de ramen.

 

História do Tempurá

A históra do Tempurá nos remete aos meados do século XVI, quando os missionários portugueses trouxeram a iguaria à Nagasaki.

Os portugueses comiam peixe frito em um festival chamado “Temporas”. Este festival era o que conhecemos hoje como Quaresma, (período de 40 dias entre a quarta-feira de cinzas e a Páscoa).

Acredita-se que essa palavra foi que deu origem a iguaria que conhecemos hoje como Tempurá.

Não há uma definição correta sobre a origem do nome tempurá, mas o fato é que o prato foi incorporado a culinária japonesa, que o popularizou.

Naquela época, o óleo era um item muito precioso. Por causa disso, o tempurá era considerado item de luxo.

Já no início do Período Edo, este tornou-se mais popular e passou a ser comercializado também em tendas.

Com o passar dos séculos, percebeu-se que o tempurá era a forma mais eficiente de se cozinhar cada ingrediente dentro de uma massa frita.

Hoje em dia é um item que faz parte do cotidiano da cozinha japonesa e indispensável para muitos.

 

 

Você Sabia?

  • O tempurá é originalmente um prato típico português e foi importado para o Japão ainda no século XVI.

 

  • Neste período, a iguaria era vendida em barracas de rua (yatai), pois a maioria das casas eram de madeira, (Saiba mais em Casas Tradicionais Japonesas), o que aumentava o risco de incêndios. Essa prática foi o que fez com que o prato viesse a ser mais acessível e popular.

 

  • No Japão, o tempurá possui ingredientes específicos dependendo da região e da sazionalidade desses itens, tornando a especiaria ainda mais sofisticada, mesmo podendo ser consumida no dia a dia.

 

  • Diferentemente do que ocorre no Brasil, na terra do sol nascente este item é frito em óleo de gergelim, em alguns casos, são usados até 2 tipos de óleo desse grão para obter a maior crocancia da massa, uma vez que isso altera o ponto de ebulição do óleo, enquanto por aqui, é mais comum o uso do tradicional óleo de soja.

 

  • Para que se desfrute ao máximo do nabemae (explicado em detalhes no próximo tópico),  o restaurante no qual o tempurá está sendo servido não deve possuir música ambiente, pois ouvir o som do óleo quente expelindo a água do tempurá durante o preparo do mesmo, amplia a experiência de degustação da iguaria.

 

  • O tempurá de camarão é o mais popular no Brasil, seguido do tempurá de legumes. O camarão deve ser o primeiro item a ser pedido no restaurante, já que é um dos únicos frutos do mar que fica avermelhado ao ser frito. Dessa forma, você já começa o “degustar com os olhos” e o aprecia da melhor forma, conforme dita o Washoku.  

 

 

 

Tempurá Kondo, o Restaurante Premiado

O Restaurante Tempurá Kondo, localizado no prédio Sakaguchi, em Ginza é um dos locais reconhecidos pelo Guia Michelin pela excelência da comida oferecida. Está entre os 5 melhores restaurantes de tempurá de Tóquio.

É um espaço luxuoso, mas que mantém o estilo tradicional japonês.

O exuberante balcão de madeira possui um “espaço sagrado”, onde os chefes mostram suas habilidades. Há uma proteção de vidro onde os clientes podem se assentar bem em frente a fritadeira, onde o tempurá está sendo preparado.

Os gourmets dizem que ao ficar nesses assentos, você além de apreciar as habilidades do chefe enquanto prepara o alimento, desfruta melhor do sabor da comida por estar “interagindo” com toda a atmosfera que envolve o preparo. Quando isso ocorre, é dado o nome de “nabemae” a esta experiência.

Normalmente, assim que adentramos no restaurante e escolhemos o lugar (previamente reservado), é servido um molho (tentsuyu), sal grosso e (arajio) acompanhado de limão e na sequencia, é servido o nabo ralado (daikon oroshi).

O tempurá finalmente é servido em um prato de madeira (agedai), que foi especialmente escolhido para que a temperatura do alimento fosse preservada. Este, por sua vez, é coberto por uma fina camada de papel (tenshi).

Caso tenha comido o tempurá de camarão e queira de outro fruto do mar, por exemplo, o ideal é consumir antes um de legumes para limpar o paladar. Dessa forma, você mantem o sabor da massa em evidência e ainda consegue boa distinção entre uma carne e outra.

 

 

Macarrão e Massa Frita Combinam?

Pode parecer estranho e pouco convencional, mas o que poucos sabem é que no Japão praticamente todas as casas de ramen (macarrão preparado com caldo de legumes e de carnes com diversas variações) têm a famosa massa frita com legumes em seus cardápios.

Nos restaurantes, geralmente ele é servido com arroz. Diferentemente do que ocorre com os que compramos na feira, a massa é mais pesada, espessa, pois servirá como esponja para o molho que virá sobre ele.

Este tipo de técnica usada para preparar o tempurá é chamada de “estilo Iseya”, já que o restaurante de mesmo nome é que consagrou essa forma de fazê-lo.

Já no restaurante de ramen ou soba, o tempurá é colocado na fritadeira e lá recebe a cobertura extra de massa. Essa técnica é chamada de “flor de fritura”.

Parte dessa massa extra, se aglutina no macarrão, intensificando o sabor da massa cozida, dando ao paladar uma explosão de sensações.

 

 

 

 

Tempurá no Brasil

No Brasil, o tempurá caiu no gosto do povo por vários motivos. 

A facilidade do preparo, a disponibilidade dos ingredientes e. claro, o sabor, foi o que conquistou não só os brasileiros, mas o mundo todo.

Um prato versátil que agrada aos amantes da simplicidade e também àqueles que preferem pratos refinados.

Apesar de ser uma massa frita, é muito nutritivo e combina com várias bebidas.

O prato é elemento chave em Festivais da cultura japonesa, como Tanabata Matsuri e o Festival do Japão, sendo, inclusive, porta de entrada para novos adeptos à culinária do Japão.

 

E aí, já comeu tempurá? Qual acompanhamento você prefere? Gosta mais de tempurá ou de pastel?

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