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Ikebana, O Arranjo Floral Japonês

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A cultura tradicional japonesa está diretamente relacionada à natureza e a ikebana é um excelente exemplo disso.

Apesar de ser uma arte aperfeiçoada em território nipônico e, diferentemente do que acontece com grande parte das coisas que o Japão importa de outros países, esta forma de cultivo e apresentação das flores é proveniente da Índia e não da China.

História e Origem da Ikebana

Conforme dito acima, este tipo específico de organização de arranjo de flores veio da Índia.

Ainda antes de ser considerada arte, a prática de arranjar flores era muito comum em templos budistas, onde estas, por sua vez eram dedicadas a Buda.

A principal flor usada como oferta era a Lotus, planta encontrada em larga escala em território Indiano.

O Budismo chegou ao Japão no século VI, entretanto, as flores escolhidas para o ritual eram adaptadas de acordo com a época do ano, devido a grande variedade da flora nipônica.

A forma com a qual cada cerimônia era realizada também diferia do indiano.

Os japoneses, entre várias técnicas possíveis, costumam usar o Mitsugusoku, um conjunto de três objetos cerimônias ( o vaso de flores, o queimador e o insenso com suporte a vela), que se popularizou durante o período Kamamura.

Não se sabe ao certo quando a ikebana começou a ser praticada como arte no Japão, contudo, o escrito mais antigo que nos remete a prática de envazar arranjos de flores é o diário de um monge Zen budista de Kyoto, Senkei Ikenobo, datado de 1462, onde ele mantinha registro de algumas técnicas de arranjo.

O Conceito Por Trás da Ikebana

Após o aprendizado e disseminação do kado por todo o Japão, este importante elemento decorativo passou a ser visto como arte.

Existem várias escolas de ikebana, mas antes de conhecermos mais das principais práticas, vamos ao conceito de ikebana.

Diferentemente do que acontece nos arranjos acidentais, onde o que mais importa é a colocação e quantidade de plantas, no conceito japonês há a a harmonia entre flor, vaso e demais elementos.

A ikebana foi criada para transpor o simples. A obra acabada vai além do vaso e da flor. O caule, as folhas, os ramos e demais elementos são essenciais para criar um estilo específico de arranjo.

Na ikebana, presente, passado, futuro, pessoas e todo o universo são representados de forma sutil, de acordo com a forma da flor, posição do caule, bem como o tipo de recipiente que é usado como vaso.

Vale ainda ressaltar que não é necessário um vaso super caro para que haja a harmonia que o arranjo exige.

Ikebana, Natureza e Arte

Assim como no bonsai, a tratativa dos elementos que compõem a ikebana estão diretamente relacionadas à escola na qual o arranjo pertence.

Como já dito anteriormente, o tipo de flor usada é alterado de acordo com a região e sazonalidade delas.

Dentre os estilos mais comuns de Ikebana destacam-se o Rikka, Sangetsu e a Tatebana.

Rikka é o estilo mais antigo de arranjar flores. Ele se caracteriza pelo uso de diversas plantas, sempre buscando a combinação “natural” entre elas.

Sangetsu é o estilo que tem como principal característica valorizar a Mãe Natureza. Seu conceito está apoiado em três princípios: Beleza, Verdade e o Bem.

O objetivo é conseguir criar um mundo melhor através de pensamentos e atitudes positivas.

O estilo sangetsu é amplamente aplicado na decoração de Cerimônias do Chá.

Por último, porém não menos importante, está o estilo Tatebana.

Este estilo tem como característica marcante o posicionamento da flor principal na vertical, com outras plantas compondo a decoração, mas sempre destacando o elemento principal.

 

 

 

 

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