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Suicídio no Japão

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Em uma nação onde a longevidade da população é a maior do planeta, cresce o número de suicídio. Por que isso acontece? Quais são os motivos que levam o indivíduo a realizar um ato tão extremo quanto esse?
O ato de suicídio japonês é peculiar porque ele em geral é associado a um significado histórico, mas na atualidade tem como principal influência a questão econômica. O suicídio tem uma associação de longa data com a salvação do nome ou fama da pessoa ou da família.

 

A análise do suicídio tem sido considerada como um passo importante na compreensão da cultura, sociedade, e povo japonês. Entre os que foram fortemente levados por este tipo de motivação está, por exemplo, a antropóloga cultural americana, Ruth Benedict.

 

No seu livro clássico sobre o Japão da ocasião da guerra, The Chrsanthemum and the Sword—O crisântemo e a espada — ela analisa características do comportamento japonês.

 

Muitos dos fatos relacionados ao suicídio tem razão proveniente da própria cultura, que se mostra “orgulhosa” e cometem suicídio em nome da honra. Para que se tenha uma ideia, muitos japoneses que estão na linha da pobreza ou abaixo, deixam de investir em algo dentro de suas residências para manter seu “Status Social”.

 

Caso queira saber um pouco mais sobre isso, no nosso post sobre a Pobreza no Japão destaca isso com riqueza de detalhes.

 

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Contexto Histórico do Suicídio no Japão

Fazendo uma viagem ao longo da história da terra do sol nascente e voltando ao período Heian (que é a última divisão da história clássica japonesa, indo de 794 a 1185)
O período recebeu o nome da capital da época, Heian-Kyo, a atual Kyoto. Foi o período da história japonesa no qual o budismo, o taoísmo e outras influências chinesas atingiram o seu máximo. O período Heian também é considerado o pico da corte imperial japonesa e é marcado por sua arte, especialmente poesia e literatura. Apesar do poder da Casa Imperial do Japão, o verdadeiro poder estava nas mãos do clã Fujiwara, uma família aristocrática poderosa que conseguiu arranjar um casamento com o Imperador do Japão.
*Nota: Heian significa “paz e tranquilidade” em japonês.

 

Da metade para o fim da era Heian, surgiram os Samurais. Inicialmente, os samurais eram apenas coletores de impostos e servidores civis do império. Era preciso homens fortes e qualificados para estabelecer a ordem e muitas vezes ir contra a vontade dos camponeses.

 

Posteriormente, por volta do século X, foi oficializado o termo “samurai”, e este ganhou uma série de novas funções, como a militar. Nessa época, qualquer cidadão podia tornar-se um samurai, bastando para isso adestrar-se no Kobudo (artes marciais samurais), manter uma reputação e ser habilidoso o suficiente para ser contratado por um senhor feudal. Assim foi até o xogunato dos Tokugawa, iniciado em 1603, quando a classe dos samurais passou a ser uma casta. Assim, o título de “samurai” começou a ser passado de pai para filho.

 

Para evitar a desonra da captura ou a vergonha de sair vivo de um duelo quando derrotado, o samurai praticava um ritual chamado seppuku, que significa: suicídio ventral. No geral, segundo seu código de conduta, quando um samurai perdia sua honra de alguma forma, ele se via na obrigação de cometer o suicídio.

 

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Do século XII até os o século XX, esse era o maior exemplo de suicídio proveniente do povo japonês. Contudo, durante a Segunda Guerra Mundial, em 1944, outro nome ficou marcado nas mentes de todo o mundo quando se falava do ato de tirar a própria vida. Os Ataque Kamikaze!

 

Visto que a única forma de conseguir fazer um ataque eficaz contra os americanos era usando aeronaves de pequeno porte e de difícil detecção pelos radares inimigos, os japoneses montaram uma estratégia que unia seus poderosos caças Mitsubishi A6M Zero armados com 250 kg de bombas para atacar porta-aviões inimigos. Assim foi feito, porém nenhum dos oficiais que preparam tais planos se ofereceu para a missão.
O então comandante das operações Yukio Seki ordenou os ataques. Em entrevista ao jornalista Onoda Masashi numa preparação à propaganda kamikaze, declarou:

 

“Se é uma ordem, eu vou. Mas não irei morrer pelo imperador ou pelo Império Japonês. Vou morrer por minha amada esposa. Se o Japão perder ela pode acabar estuprada pelos norte-americanos. Estou morrendo por quem mais amo, para protegê-la”

 

 

O que os japoneses não contavam é que no ano seguinte a história mudaria de rumo e sua civilização sofreria com marcas profundas, estas nas quais até hoje ainda são sentidas pelo povo nipônico. Os atentados terroristas de Hiroshima e Nagazaki são até hoje os maiores expoentes desse tipo de violência.
Após este ataque o Japão teve que se reestruturar, houve grande mudança e investimento em educação e infra estrutura.

 

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Contudo, mesmo com todos estes esforços, remanescentes dessa época sofreram muito com as condições precárias de vida e iniciaram novas ondas de suicídio. Estas, por sua vez, foram batizadas de kodokushi, que em tradução literal significa Morte Solitária.

 

Esta última, embora não seja somente suicídio, também engloba o ato de tirar a própria vida, pois 90% dos indivíduos que têm este trágico fim, em algum momento da vida passaram por situações de abandono familiar, depressão e pobreza.

 

Vale ressaltar ainda que o suicídio está bem incorporado nos padrões comportamentais japoneses e a prevalência do suicídio não é assunto negligenciável. As estatísticas da Agência de Polícia Nacional Japonesa diz que o número em 2003 chegou a 34.427 (27,0 por cada cem mil habitantes). Para cada cem mil pessoas, no ano 2000, a taxa no Japão foi de 34,1, comparado a 10,4 nos Estados Unidos, e 4,1 no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde e do Trabalho Japonês, depois da Segunda Guerra Mundial, o Japão passou por três ondas de suicídio. A primeira onda teve seu ponto mais alto em 1958, com 23.641 mortes, a segunda alcançou o máximo em 1986 com 25.667 mortes. Atualmente, estamos no meio da terceira onda, que começou em 1998.

 

 

Suicídios no Japão – Verdades e Mitos

Ao contrário do que muitos pensam, por mais que a taxa de suicídio do Japão seja alta, ainda está um pouco distante de ser a maior. Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), o Japão está ocupa o nono lugar nesse ranking, com 21.4 suicídios para cada 100 mil habitantes (dados de 2013). No topo da lista está a Lituânia (dados de 2012), seguido pela Coreia do Sul (dados de 2012). O Brasil ocupa o número 70 da lista de suicidas com 4.8 mortes por suicídio para cada 100 mil habitantes (dados de 2008).

 

Outro fato que diverge do pensamento das massas é sobre o local onde mais ocorrem as mortes voluntárias, nosso primeiro pensamento nos leva para o estresse das grandes cidades e o excesso de trabalho, contudo, não são os principais fatores que levam um japonês a tirar a própria vida. Os lugares mais remotos, especialmente zonas rurais, concentram o maior número de suicídios por 100 mil habitantes. A principal característica associada a este dado pode ser vista claramente em cidades afastadas como Kumamura. A junção das condições financeiras e o aumento das pessoas na 3ª idade sem posto de trabalho são os fatores que mais contribuem com os suicídios.

 

Devido ao aumento constante da taxa de suicídios, embora muitas coisas tenham sido propostas em relação à sua prevenção, todas elas estão mais ou menos vinculadas a política de prevenção relacionada à saúde mental. A saúde mental não tem que ver com medida política, mas como a taxa de desemprego vai ser analisada e como uma espécie de rede de segurança vai ser colocada à disposição dos que dela necessitam. É impossível impedir-se suicídios que são induzidos por razões econômicas com a diminuição do orçamento da previdência social. Os empregos com salários decentes para homens e mulheres, assim como um generoso programa de assistência pública podem parecer uma rota indireta, mas este é, na realidade, o caminho mais propício de impedir-se o suicídio.

 

A boa notícia em meio a tanta coisa ruim acontecendo é que nos últimos anos essa tendencia suicida veio perdendo força. Apesar de serem informações verdadeiras, as manchetes são sensacionalistas pois escondem o fato de que as taxas de suicídios no Japão vêm caindo desde o ano 2000. Os números ainda são altos, com uma média de 75 suicídios por dia em 2013, mas os dados mostram que o Japão está dando grandes avanços.

 

Além disso, nos últimos anos o governo japonês fez várias campanhas para reduzir os suicídios, que incluíram ajudas no valor de 10 bilhões de ienes (US$ 107 milhões) para promover consultas e assistência psicológica às pessoas.

Fontes: Terra, Japão em Foco, Espaço Acadêmico, BBC.

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