Pobreza no Japão: Realidade Crescente

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Sabemos que o Japão é uma das nações mais ricas e desenvolvidas do mundo. Sua cultura certamente é uma das mais ricas e difundida em outros países. Você sabia que este país tão desenvolvido tem passado por problemas internos relacionados a pobreza?

 

 

Fatos de Dados

Sendo uma nação de primeiro mundo,  recentemente a Capital do país, Tóquio, assumiu o posto de cidade mais segura do mundo, conforme levantamento realizado este ano pela Revista THE ECONOMIST.

 

O levantamento levou em consideração 40 elementos chave, separados por quatro categorias: segurança digital, saúde, infraestrutura e segurança pessoal.

 

O mais interessante é que mesmo sendo a cidade mais populosa do mundo, Tóquio veio subindo de colocação neste ranking ao longo dos anos e atualmente ocupa o topo da lista.

 

Tóquio será sede das Olimpíadas de 2020 e esse aspecto foi analisado no levantamento, uma vez que a segurança foi o principal objetivo estabelecido pela organização do evento.

 

Com base nestes dados e o constante desenvolvimento tecnológico do país, é difícil enxergar num primeiro momento o outro lado da moeda. Infelizmente, assim como em qualquer lugar do mundo, também existe pobreza no Japão. Este contraste na realidade japonesa é muito mais intenso e presente do que se possa imaginar.

 

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Fazendo uma breve análise na população total do país, contatou-se que uma em cada seis pessoas vive abaixo da linha da pobreza. Isso significa que 21 milhões de 128 milhões de pessoas estão abaixo da média nacional, aproximadamente 16,1% da população.

 

 

Idosos e a Pobreza

Um fato intrigante sobre esta realidade é que em sua maioria, essas pessoas mais pobres são mulheres solteiras e idosos aposentados.

 

Ainda dentro deste contexto, foi constatado que nos últimos anos o número de crimes praticados por pessoas na terceira idade aumentou consideravelmente. Isso tem ocorrido pois estes acreditam que na prisão podem ter um amparo melhor do sistema governamental.

 

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Muitos idosos temem pelo kodokushi (que significa literalmente “morte solitária” ). A palavra kodokushi surgiu em 1980, quando o cadáver de um idoso foi encontrado em seu apartamento após 30 anos.

 

 

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Pode parecer bobagem para alguns, mas isso ocorre com certa frequência no Japão. Os principais fatores estão ligados ao fato que muitos sobrevivem com um aposentadoria mal remunerada e vivem em apartamentos do governo.

 

A falta de recursos financeiros eventualmente leva a um quadro de estresse, apatia e depressão, que acaba fazendo com que o indivíduo evite contatos sociais, culminando em isolamento social extremo.

 

Esses indivíduos sofrem muito antes de morrer e as principais causas são: infarto do miocárdio, doença cerebral, doença crônica, cirrose por excesso de álcool, acidente doméstico e Acredite… até de fome! Por este motivo, a expressão “Morrer de Solidão”, é algo literal e não é usado como força de expressão no Japão.

 

 

Em relação as mulheres que vivem com renda abaixo da média nacional, muitas sobrevivem com cerca de 40% deste valor, e mesmo recebendo auxílio do governo, passam por necessidades. 

 

Existem cerca de 1,23 milhões de mulheres que criam seus filhos sozinhas. O que preocupa é que mesmo com o esforço do governo, este número continuou sendo crescente. Seguindo essa triste realidade,

 

Quem também sofre com essa situação de baixa renda são as crianças. A taxa de pobreza infantil para crianças e jovens com idade inferior a 18 anos residentes nesses domicílios, foi de 16,3%, a maior já registrada até então.

 

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Ainda dentro deste contexto, há também os sem tetos no Japão, que somados já ultrapassam a quantia de 7500 indivíduos também contribuintes para o contraste econômico do país, fazendo parte dos que estão na linha da pobreza. Destes, cerca de 1500 estão em Tóquio. No ano de 2002 essa situação era muito pior, somente na capital japonesa existiam mais de 6000 pessoas vivendo literalmente debaixo da ponte.

 

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O Histórico da Economia Japonesa

A situação econômica do Japão manteve-se estável por mais de 20 anos, contudo, as evidências de que o país estava com um número crescente de pessoas vivendo abaixo da linda da pobreza vinha sendo “maquiada” pelo orgulho japonês.  

 

Com medo de serem estigmatizados, muitos dos que vivem em condições desfavoráveis se mantinham atrás do “ichioku-sohchu-ryu”, um dito popular que pode ser traduzido como nação de classe média.

 

O fato é que isso não ocorria somente com os cidadãos. O governo japonês manteve estatísticas secretas sobre a pobreza no país e não havia dado muita importância pra isso. De 1998 até 2007 o número de pessoas pobres dobrou (isso de acordo com os dados coletados pelo governo japonês).

 

Essa realidade é muito pior, levando-se em conta o fato de que o população de baixa renda tenta manter as aparências.

 

De acordo com uma reportagem feita pelo site G1, mais de 80% dos que vivem na pobreza no Japão fazem parte dos chamados trabalhadores pobres, que ganham salários baixos, obtêm empregos temporários sem segurança e poucos benefícios.

 

Grande parte destes, possuem mais  de um emprego e ainda sim, passam por necessidades. Eles geralmente não têm dinheiro suficiente para comer, mas não para participar de atividades normais, como sair para jantar com amigos ou ver um filme. Por este motivo é difícil de se perceber a dura realidade por lá.

 

Para se ter ideia do quão grande é a extensão do problema, no ano de 2007 o Japão possuía um índice de pobreza de  15,7%. No mesmo ano, os Estados Unidos (país com grande contraste social) tinha o índice de 17,1%, de acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

 

Uma estatística chamou a atenção ao mostrar que uma em cada sete crianças vive na pobreza, por isso o novo governo prometeu oferecer pagamentos mensais de US$ 270, além de diminuir os custos do ensino médio.

 

Apesar disso, assistentes sociais temem que os pobres não poderão pagar uma série de despesas para permitir que seus filhos consigam competir no sistema educacional japonês. Assim, eles ficariam presos em um círculo vicioso de salários baixos.

 

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Kumamura, o Vilarejo mais Pobre do Japão

Mesmo assim, a situação requer tempo para que haja resultados significativos em todo o país. Nas regiões metropolitanas a condição de vida tem se tornado homogênea, mas em locais mais afastados como Kumamura a pobreza ainda é evidente, mesmo com todo o esforço da população.

 

Conforme divulgado recentemente no site Silvia in Tokyo, Kumamura é atualmente a vila mais pobre do Japão.

 

Localizada no extremo sul de Kumamoto, Kumamura já fez parte do mapa turístico da região, onde possuía diversos atrativos, tais como suas florestas compostas de Cedro Japonês e de Cerejeiras (que compõem mais 80% de sua geografia), bem como a fauna e sua principal fonte de renda provinha do turismo.

 

Atualmente, a agricultura  é o que garante a sobrevivência da população. Para saber mais sobre a cidade mais pobre do Japão, acesse Silvia in Tokyo.

 

 

Alguns locais como Kamagasaki, que já foi polo industrial de economia impar no país, hoje enfrenta dificuldades, tendo como principal causa da pobreza o elevado número de idosos dentre a população. Cerca de 1/3 da população já ultrapassa os 50 anos de idade.

 

Pouco depois da Segunda Guerra Mundial, Kamagasaki havia se tornado uma vila operária com muitos trabalhadores. Contudo na chegada a década de 1960 até a década de 1990, muitos eventos fizeram com que a cidade entrasse em decadência, sendo os principais as formações de gangues, motins e desemprego pós crise do petróleo.

 

Com isso o local foi empobrecendo, uma vez que as ofertas de emprego praticamente desapareceram. Dessa forma, Kamagasaki ficou sendo conhecida como a terra dos velhos sem teto.

 

Mas nem tudo são notícias ruins. A cidade ainda consegue muitos visitantes e anualmente ocorre O Festival de Verão de Kamagasaki e a festa de Obon Odori (dança folclórica).

 

Estes eventos abrem margem para as manifestações em forma de arte (ou não), mas que visam reivindicar melhores condições e apoio social, além de serem festas comemorativas.

 

Com todo este quadro mostrado acima, pode ser que venha a pergunta sobre como será visitar o Japão (em especial em 2020, quando Tóquio sediará as Olimpíadas).

 

 

 

Japão Contra a Pobreza

Atualmente a pobreza é administrada de forma um pouco diferente, onde o governo entende que é preciso investimento, principalmente com relação a classe operária. Os custos de essenciais como escolas tem sido um pouco mais baixo, além disso, os auxílios dados pelo Estado tem ajudado a estabilizar essa condição.

 

O esforço realizado pelo governo Japonês para mudar essa situação, não tem sido poupado, contudo, como já foi falado, essa é uma condição que apenas em locais específicos é facilmente percebida.

 

Outro fato que merece atenção é que a cultura do Japão difere da Ocidental em diversos aspectos, sendo uma rica e fascinante oportunidade de explorar essas peculiaridades e de conhecer um pouco mais de si mesmo.

 

Em todo o caso, viver no Japão é uma experiência maravilhosa e muito enriquecedora, mas é necessário estar atento para não ser pego de calças curtas em uma eventual crise e recessão.

 

A dica é economizar o máximo que puder para que esses fantasmas não destruam os sonhos de quem busca uma vida melhor.

Fontes: G1, Japão em Foco, Silvia in Tokyo, Travel.CNN e Veja

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